A Justiça do Amazonas revogou, na quinta-feira (30 de abril de 2026), a prisão do soldado da Polícia Militar Hudson Marcelo Vilela de Campos, envolvido na abordagem que terminou com a morte de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, em Manaus.
A decisão foi tomada após pedido do Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apontou, com base em vídeos anexados ao processo, que os disparos que atingiram a vítima teriam sido efetuados pelo outro policial que estava na viatura.
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O caso ocorreu no dia 19 de abril, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital amazonense, durante uma abordagem policial a um jovem que estava em uma motocicleta sem placa. Carlos André foi atingido por um tiro no peito e morreu no local.
Com a decisão, o soldado deixou a prisão, mas deverá cumprir medidas cautelares, como comparecimento periódico à Justiça, proibição de mudança de endereço sem comunicação e restrição de contato com testemunhas e familiares da vítima.
Versões da investigação e da abordagem
Segundo o Ministério Público, a perseguição teve início após a identificação da motocicleta sem placa. Hudson dirigia a viatura, enquanto o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier ocupava o banco do carona e portava arma de fogo.
De acordo com o MPAM, o sargento teria efetuado dois disparos durante a ocorrência: um para o alto e outro que atingiu o peito de Carlos André. O órgão afirma que, até o momento, não há elementos que indiquem participação direta do soldado nos disparos.
O Ministério Público também destacou que a função de dirigir a viatura, por si só, não caracteriza envolvimento na ação que resultou na morte.

Defesa reage com indignação após soltura
Nesta sexta-feira (1º/5), a defesa da família, representada pelo advogado Alexandre Torres Jr., divulgou nota reagindo com indignação à soltura do soldado e contestando sua exclusão do caso.
No documento, a defesa afirma:
As imagens comprovam que Hudson, ao visualizar a vítima já baleada, desceu da viatura e desferiu uma coronhada na cabeça de Carlos André. Na sequência, enquanto a vítima agonizava, o soldado a golpeou com chutes até a morte, posteriormente confirmada pelo SAMU.”
A defesa também critica a condução do caso e aponta supostas falhas na investigação e dificuldades de acesso aos autos. Em outro trecho, afirma que a família estaria sendo alvo de intimidações:
A família da vítima continua sendo alvo de perseguição. […] Tais fatos foram levados ao conhecimento do Ministério Público (MPAM), que, até o momento, manteve-se inerte diante de práticas de tortura, ameaça e coação no curso do processo.”
O grupo jurídico informou ainda que pretende recorrer da decisão e buscar o indiciamento de ambos os policiais, além de atuar como assistente de acusação no processo.
Relembre o caso
Carlos André foi abordado por policiais militares na madrugada de 19 de abril. A família afirma que inicialmente foi informada de que o jovem teria sofrido um acidente, versão posteriormente contestada após a constatação de ferimento por arma de fogo.
Imagens de segurança registraram o momento da abordagem, e o caso segue sob investigação das autoridades em Manaus.



