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Ciência & Tecnologia

Ufam inicia projeto de formação científica e digital para jovens ribeirinhos e indígenas

Gustavo Reis
Atualizado em 2026/04/29 at 4:07 PM
Gustavo Reis 2 horas atrás
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Ufam inicia projeto de formação para jovens ribeirinhos e indígenas
Projeto realizado entre abril e maio. (Foto: Luiz Henrique Almeida)
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A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) oferece, entre abril e maio, cursos de formação digital e científica para estudantes de 11 a 14 anos, no projeto “Ribeirinhos Cientistas”. O objetivo é capacitar alunos e professores da Comunidade São João do Tupé, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, margem esquerda do Rio Negro, na zona rural de Manaus.

A iniciativa ensina adolescentes não apenas a divulgar nas redes sociais o ambiente em que vivem, mas também a compreender a natureza e o contexto amazônico em que estão inseridos, para que possam mostrar na internet a realidade e os desafios de quem mora na Amazônia.

A atividade envolve 18 alunos ribeirinhos e indígenas da RDS do Tupé, localizada a 30 quilômetros da capital amazonense e acessível apenas por barco ou lancha. A reserva possui 11.930 hectares que são protegidos e reúne seis comunidades: Livramento, Julião, Agrovila, Colônia Central, São João do Tupé e Tatu, conhecidas pelo uso dos recursos naturais e pela presença de povos indígenas como Tatuyo, Tuyuka e Dessana.

De acordo com a coordenadora do projeto “Ribeirinhos Cientistas”, professora Dra. Thais Castro, a iniciativa envolve alunos e professores da Escola Municipal São João, única da RDS do Tupé, na análise de desafios locais, como as cheias e as secas.

O projeto, com formação em ciências naturais, biologia, física, matemática e computação, trabalham a partir do conhecimento que os estudantes e suas famílias possuem. Assim, jovens que já utilizam redes sociais como Instagram e TikTok podem deixar de ser apenas espectadores e passam a ser protagonistas, capazes de registrar o cotidiano, questionar e se engajar nas pautas que afetam suas comunidades.

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Programação

As visitas ao RDS do Tupé seguem um planejamento definido. Em 16 de abril, os alunos escreveram uma síntese sobre o que encontraram e discutiram a contextualização para trabalhar com barcos de propulsão. Em 6 de maio, o foco será propor soluções e sugestões.

Já em 29 de maio, está prevista a construção e lançamento do barco com propulsão, com os próprios alunos registrando a experiência em vídeo para compor o acervo dos projetos. Por fim, será realizada a apresentação e demonstração das iniciativas desenvolvidas, encerrando o ciclo de atividades presenciais.

Além das visitas à comunidade, o projeto prevê a produção de um livro digital reunindo os projetos e registros fotográficos dos estudantes, a exibição das fotos em um site dedicado à iniciativa e a gravação de vídeos em que os próprios alunos apresentam seus trabalhos, ampliando o alcance e a visibilidade do que foi construído coletivamente.

Saber científico

A professora Stephane Ladislau, formada em Ciências Naturais, atua no projeto “Ribeirinhos Cientistas” com o objetivo de despertar nos alunos a percepção de que também são cientistas. O trabalho vem valorizar os saberes que eles já possuem sobre o ambiente em que vivem, mostrando que esse conhecimento é parte essencial da construção da ciência.

“Eles possuem conhecimento, e ciência é justamente isso: um conjunto de saberes. Conhecer sobre plantas, o rio ou os pássaros também é ciência. Eles já compartilharam um pouco sobre o céu do Tupé, que, para eles, é muito mais estrelado do que na zona urbana de Manaus, com direito a ‘estrelas cadentes’. Acredito que os alunos podem usar esse conhecimento para mostrar a realidade da comunidade, suas experiências e vivências. Muitas vezes eles pensam que isso não é importante, mas é. Conhecer a realidade deles é fundamental para todos nós. É uma troca”, detalha.

Já a professora Letícia Gabriela, também formada em Ciências Naturais, participa do projeto com o propósito de integrar o ensino científico ao uso da tecnologia. As atividades que desenvolve aproximam os estudantes dos recursos digitais e, ao mesmo tempo, valorizam os saberes da própria comunidade. Envolve a observação do ambiente, o registro fotográfico e a criação de quizzes que conectam cultura local e aprendizado científico.

“Levamos os alunos para a área externa da escola, onde exploraram curiosidades locais, como o rio e grafismos indígenas. A partir das fotografias que tiraram, planejamos criar quizzes que serão apresentados em uma mostra cultural para a comunidade e também enviados para o público externo em Manaus. Por exemplo, um grafismo da tribo Tuyuka pode parecer apenas um desenho, mas, na explicação dos alunos, ele representa a folha do tucumã. Transformar esse conhecimento em quizzes torna o aprendizado divertido e significativo.”

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Gustavo Reis 29/04/2026 29/04/2026
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Por Gustavo Reis
Gustavo Reis é formado em jornalismo e colabora com o Segundo a Segundo na produção de matérias para as editorias de Oportunidade, Cultura e Cidades.
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