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Saúde

Sobrecarga e múltiplos papéis impactam a saúde mental feminina, explica especialista

Gustavo Reis
Atualizado em 2026/04/06 at 12:24 PM
Gustavo Reis 2 meses atrás
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Sobrecarga e múltiplos papéis impactam a saúde mental feminina
Em 2025, as mulheres representaram 64% dos afastamentos no trabalho por questões de saúde mental. (Foto: Divulgação)
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Assumir diferentes papéis ao mesmo tempo, como profissional, mãe e esposa, por exemplo, pode causar uma sobrecarga emocional às mulheres, com impactos na saúde mental. É o que afirma a psicóloga e especialista em Saúde Mental, Maria do Carmo Lopes.

Segundo ela, os dados reforçam essa percepção. Em 2025 foi registrado, no Brasil, mais de meio milhão de afastamentos do trabalho, em decorrência de questões relacionadas à saúde mental, aponta o Ministério da Previdência Social. As mulheres representam 64% dos afastamentos.

“Até hoje, a sociedade continua a cobrar da mulher a responsabilidade de cuidar e administrar a casa, educar os filhos e, ao mesmo tempo, ser bem-sucedida profissionalmente. Esse acúmulo de funções pode levar ao esgotamento físico e emocional”, afirma a psicóloga.

De acordo com Maria do Carmo Lopes, esse desgaste pode se manifestar de diversas formas, afetando diretamente a saúde e a qualidade de vida. “A mulher pode apresentar dificuldade de concentração, insônia e até mesmo negligenciar o autocuidado. É um processo que começa muitas vezes de forma silenciosa, mas que tende a se agravar com o tempo”, destaca.

Outro ponto de atenção, de acordo com Maria do Carmo Lopes, é a perda da identidade pessoal. Ao priorizar constantemente as demandas familiares e profissionais, muitas mulheres acabam se colocando em segundo plano. “Existe um risco significativo de a mulher se anular. Ela passa a funcionar no automático, deixando de olhar para si mesma, para suas necessidades e desejos. Isso gera exaustão mental, estresse, ansiedade e insatisfação”, explica.

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A especialista frisa que, apesar de invisível, a sobrecarga mental dá sinais claros de alerta. Entre os sintomas físicos mais comuns estão cansaço extremo e persistente, tensão muscular, dores de cabeça, desconfortos gastrointestinais e alterações no sono e no apetite. Já no campo emocional, podem surgir irritação, apatia, tristeza e ansiedade.

Maria do Carmo ressalta que também há impactos cognitivos e comportamentais, como esquecimentos frequentes, dificuldade na tomada de decisões, queda na produtividade e isolamento social. “A mulher passa a sentir que não consegue dar conta das tarefas, além de desenvolver uma autocrítica intensa e uma cobrança excessiva sobre si mesma”, pontua.

Para reduzir os impactos dessa rotina e preservar o equilíbrio emocional, a especialista dá algumas dicas, como fazer mudanças no dia a dia, estabelecer limites, dividir responsabilidades e organizar as tarefas.

“Delegar funções, seja em casa ou no trabalho, é fundamental. Além disso, é importante reconhecer o próprio limite e aprender a dizer não, sem culpa”, orienta.

Maria do Carmo Lopes também reforça a importância do autocuidado como prática constante, além da terapia. “Fazer pausas ao longo do dia, manter uma rotina com atividades físicas, investir no autoconhecimento e evitar o isolamento social são medidas importantes. É claro, sem esquecer da importância de um acompanhamento psicológico, fazer terapia e buscar uma melhora na qualidade de vida”, afirma.

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Por Gustavo Reis
Gustavo Reis é formado em jornalismo e colabora com o Segundo a Segundo na produção de matérias para as editorias de Oportunidade, Cultura e Cidades.
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