A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgou nesta segunda-feira (25) o Boletim Epidemiológico da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Amazonas 2025. O documento reúne dados das notificações registradas no estado entre 2021 e 2025 e integra as ações da campanha nacional Faça Bonito.
De acordo com o levantamento, o número de notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes apresentou crescimento nos últimos anos. Em 2021, foram registrados 1.585 casos. Em 2025, o total chegou a 3.164 notificações, o maior número da série histórica analisada. A taxa de prevalência foi de 208,6 casos por 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 19 anos.
Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o aumento das notificações também está relacionado à ampliação da capacidade de identificação e encaminhamento dos casos pelos serviços de saúde e pela rede de proteção.
O boletim foi elaborado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE), por meio da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) e da Coordenação Estadual de Vigilância das Violências e Acidentes (Viva), com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
As informações mostram que meninas representam 93,1% das notificações registradas em 2025. A faixa etária entre 10 e 14 anos concentrou 57,9% dos casos. O levantamento também aponta predominância de registros entre crianças e adolescentes pardos, que correspondem a 79,8% das notificações.
Entre os municípios com maior número absoluto de casos estão Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru. Já as maiores taxas proporcionais foram identificadas em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari.
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Estupro de crianças e adolescente tem maior registro
O estupro de vulnerável aparece como o principal tipo de violência sexual notificado, representando 55,6% dos registros. Mais da metade das notificações indicava recorrência da violência. A residência foi apontada como o principal local de ocorrência, concentrando 78,4% dos casos.
O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, afirmou que os dados auxiliam na definição de ações de prevenção e assistência, permitindo identificar áreas mais vulneráveis e padrões de ocorrência.
O boletim também destaca os encaminhamentos realizados após as notificações. O Conselho Tutelar concentrou 72,8% dos direcionamentos feitos pelos serviços de saúde.
A coordenadora estadual do Viva da FVS-RCP, Cassandra Torres, ressaltou a importância da articulação entre os setores da saúde, assistência social, educação e demais órgãos ligados ao Sistema de Garantia de Direitos para ampliar a proteção de crianças e adolescentes.
O documento completo está disponível no site oficial da FVS-RCP.



