“O canto e a reza do pajé/O canto e a dança do pajé” marcaram o tom do terceiro Bar do Boi da temporada no Sambódromo de Manaus, zona Centro-Oeste da capital, no último sábado (2/5). O evento teve como tema “Misticismo e Revolução”, e reuniu torcedores em uma programação marcada pela reunião inédita dos ex-pajés (item 12) Waldir Santana e Netto Simões, ao lado do atual pajé Erick Beltrão, promovendo um encontro de gerações de um dos itens mais representativos do Boi-Bumbá Caprichoso.
LEIA TAMBÉM: Os Neiffs comandam Aniversário do Forró Ideal em edição “Pé na Areia” em Manaus
Já consolidada como uma das edições mais aguardadas da temporada de ensaios para o Festival de Parintins, a programação resgatou toadas de décadas passadas inspiradas em lendas, mitos e ritos amazônicos. A proposta conduziu o público por uma atmosfera ritualística, em que música, dança e memória coletiva dialogaram no mesmo compasso.

Para a confeiteira e marujeira Lorrainy Couto, a edição dedicada às lendas e rituais despertou sentimentos ligados à memória afetiva. “Em mim, gerou a expectativa de reviver as noites memoráveis, inesquecíveis do nosso Boi, de sentir a mesma sensação que vivemos todos esses anos, ouvindo toadas antológicas, que nos leva de volta a um passado carregado de misticismo, espiritualidade, ao sagrado, ao divino. Essa noite foi de êxtase e contemplação ao torcedor Caprichoso”, afirmou.
Animada, a professora Larissa Rodrigues também enfatizou o caráter simbólico da programação. “Foi uma noite de muita magia, onde encontramos as nossas ancestralidades”, destacou.
Um dos momentos centrais da noite foi a participação dos três últimos intérpretes do item Pajé no Boi Caprichoso: Waldir Santana (1992–2016), Netto Simões (2017–2019) e Erick Beltrão (desde 2020). Juntos, eles somam 34 anos de trajetória no Festival de Parintins, representando diferentes fases de um item que simboliza a dimensão espiritual do espetáculo azul e branco.
A programação musical contou ainda com apresentações de Ornello Reis, Júlio Persil, Márcio do Boi, Edmundo Oran, Diego Brelaz e Paulinho Viana, além da participação da Marujada de Guerra, do Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e da Raça Azul.

Entre os destaques do repertório, foram resgatadas toadas de forte dimensão simbólica, como Ritual da Vida (1998), Oração da Montanha (1999), Misterioso Kuraka (2000), Boiúna (2011), Tribálica (2010), Coacy Beija-Flor (2004), Tamba Tajá (2003), entre outras, reafirmando a permanência dessas narrativas na memória afetiva da Nação Azul e Branca.
Realizado como parte da agenda preparatória para o Festival de Parintins, o Bar do Boi é promovido pelo Movimento Marujada, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC). A próxima edição está marcada para o dia 23 de maio.



