A Polícia Civil do Amazonas prendeu um tenente da Aeronáutica durante a segunda fase da Operação Tormenta, que investiga um esquema de agiotagem, extorsão, roubos e lavagem de dinheiro no estado. O militar é apontado como um dos integrantes da organização suspeita de movimentar valores milionários por meio de empréstimos ilegais.
As investigações começaram em janeiro de 2026 e indicam que o grupo atuava de forma estruturada, oferecendo crédito com juros que podiam ultrapassar 50% ao mês. As principais vítimas identificadas são servidoras públicas, especialmente ligadas ao Tribunal de Justiça do Amazonas e ao Tribunal de Contas do Estado.
De acordo com a polícia, além da cobrança de valores elevados, os envolvidos utilizavam práticas de extorsão para garantir o pagamento das dívidas. Entre as ações relatadas estão a apropriação de bens como veículos, joias, aparelhos eletrônicos e imóveis. Em alguns casos, os suspeitos assumiam o controle de contas bancárias das vítimas, movimentando salários e outros recursos.
O grupo também operava com divisão de funções entre seus integrantes, incluindo o repasse de dívidas para ampliar os valores cobrados e manter as vítimas vinculadas ao esquema. As apurações apontam ainda que houve monitoramento de vítimas e indícios de planejamento de ações contra veículos oficiais.
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O tenente foi preso em um condomínio no bairro Ponta Negra, em Manaus. Ele também é investigado por uma tentativa de homicídio registrada em fevereiro na zona norte da capital. Além dele, outros quatro suspeitos foram detidos na operação, enquanto seis investigados seguem foragidos.
Para ocultar a origem dos recursos, a organização utilizava empresas de fachada. Pelo menos seis foram identificadas e tiveram bloqueios judiciais determinados. Uma dessas empresas movimentou mais de R$ 3,3 milhões, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O total movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 150 milhões.
Durante a ação policial, foram apreendidos armamentos, munições, dinheiro em espécie, documentos, celulares, computadores e veículos de luxo. Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, extorsão, roubo, agiotagem, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma de fogo.
A Polícia Civil solicita que informações sobre os suspeitos foragidos sejam repassadas de forma anônima, para auxiliar na continuidade das investigações.

