Um estudante do curso de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi denunciado por suposto envolvimento na produção e armazenamento de imagens íntimas de colegas, com uso de ferramentas de inteligência artificial (IA). O caso passou a circular entre estudantes e mobilizou entidades acadêmicas da universidade.
As denúncias vieram a público inicialmente por meio de uma publicação do Centro Acadêmico de História (CACHA) da Universidade Federal do Amazonas e, posteriormente, passaram a circular entre estudantes nas redes sociais. Entre as manifestações, está a do aluno de História William, que abordou o caso em sua página no TikTok. No conteúdo publicado, ele relata a existência de materiais digitais e descreve a conduta atribuída ao suspeito.
“Essa pessoa que fez isso é um egresso de História e atual aluno do curso de Direito. Infelizmente, esse indivíduo produzia e tinha fotos em um drive de alunos e alunas. Não sei quem são todas as pessoas que estavam ali, mas eram imagens dessas pessoas sem roupas. Ele fez um pedido de confissão e há um relato em que ele admite isso para uma das vítimas”, afirmou.
William também declarou que teve acesso a parte do conteúdo, ressaltando que as conversas não podem ser divulgadas por envolverem a identificação das possíveis vítimas. “Essas conversas não podem ser vazadas porque envolvem nomes. Eu cheguei a ver esse relato, mas ao longo do caso ele tenta transferir a responsabilidade, nunca se colocando como culpado”, disse.
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Diante da repercussão, o Centro Acadêmico de Direito (CAD) e o CACHA informaram que adotaram medidas formais. Em 17 de abril de 2026, as entidades, representadas por seus presidentes, Lucas Alexandre e Lucas Pires, respectivamente, protocolaram uma manifestação oficial junto ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), solicitando a apuração do caso envolvendo suspeita de assédio e manipulação de imagens com IA dentro da universidade.
As organizações estudantis também destacaram que o objetivo da ação é garantir a investigação dos fatos, preservando o sigilo das possíveis vítimas e acompanhando os procedimentos legais cabíveis.
Por meio de nota a Ufam informou que imediatamente após o recebimento das manifestações via Ouvidoria, a Corregedoria Setorial da universidade determinou a abertura de uma Investigação Preliminar Sumária (IPS). O procedimento visa apurar a materialidade e a autoria dos fatos num prazo de 30 dias, em estrita observância ao devido processo legal.
“Foi determinado o envio imediato do processo à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE) para assegurar o acolhimento psicossocial qualificado às estudantes notificantes. Tal medida foi tomada para garantir a segurança e o bem-estar das vítimas. Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à Lei de Acesso à Informação (LAI), o processo tramita sob sigilo. A universidade não divulgará nomes, cursos ou unidades acadêmicas, protegendo a identidade de todos os envolvidos para garantir a integridade das investigações. A Ufam reitera que possui canais permanentes e seguros para o recebimento de denúncias de assédio e violência de gênero por meio da plataforma Fala.BR. Acima de tudo, a Ufam esclarece que não tolera qualquer forma de violência ou desrespeito à dignidade humana, empenhando-se numa apuração célere, técnica e exemplar”, diz a nota.



