O Amazonas é o estado brasileiro que menos articula o ensino médio à formação profissional técnica, seja na modalidade integrada ou concomitante (no contraturno), segundo dados do Censo Escolar 2025. Enquanto a média nacional alcançou 20,1% — somando redes pública e privada — e o Piauí liderou o ranking com 68,8%, o Amazonas registrou apenas 5,2%.
O resultado evidencia um gargalo estrutural na qualificação da juventude amazonense, especialmente diante da demanda crescente por mão de obra técnica em setores estratégicos da economia local.
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“Esse cenário reflete desafios históricos de infraestrutura e logística, principalmente no interior do estado, além da necessidade de ampliar investimentos em professores e espaços adequados para os cursos técnicos”, avalia a especialista em Gestão Educacional e diretora-presidente do Centro de Ensino Técnico (Centec), Eliana Cássia de Souza.
De acordo com ela, a integração entre ensino médio e formação técnica é um dos caminhos mais eficazes para reduzir a evasão escolar e ampliar as oportunidades de inserção produtiva dos jovens. “Quando o estudante enxerga uma perspectiva concreta de profissão e renda, a permanência na escola se fortalece”, afirma.
A formação técnica, inclusive, tem impacto direto na renda. Revisão de 16 estudos nacionais e internacionais realizada por pesquisadores do Instituto Insper aponta aumento médio de 32% na remuneração ao longo da vida para quem conclui o ensino técnico.
Demanda crescente no Ensino Médio Técnico
No Amazonas, o debate ganha ainda mais relevância diante do cenário econômico. A Zona Franca de Manaus segue como principal motor da economia regional e demanda profissionais qualificados para atender novas indústrias e a expansão de setores como serviços, comércio e saúde.
“Temos uma economia que precisa de técnicos em diversas áreas. A formação profissional integrada ao ensino médio permite que o jovem saia da escola com uma qualificação concreta e mais chances de inserção no mercado”, destaca Eliana.
Segundo o Censo 2025, os eixos com maior número de matrículas no país são gestão e negócios (711.071 estudantes), seguido por ambiente e saúde (503.998). Na sequência aparecem informação e comunicação (424.628) e controle e processos industriais (292.383) — áreas diretamente relacionadas às demandas produtivas.
Acesso ainda é desafio – Além da baixa oferta integrada, o acesso à formação técnica também esbarra em barreiras socioeconômicas. Parte das famílias enfrenta dificuldades para custear cursos, especialmente em um estado marcado por grandes distâncias geográficas.
Para tentar ampliar o acesso, instituições privadas também têm criado alternativas, como programas de bolsas e expansão do ensino a distância. Com 16 anos de atuação em Manaus, o Centec afirma já ter formado mais de 5 mil profissionais e prevê, para 2026, a inauguração de uma unidade exclusiva de laboratórios para cursos presenciais, além da ampliação das ofertas em EaD.
Para a especialista, no entanto, o enfrentamento do problema exige ação coordenada. “Ampliar o ensino técnico integrado não é apenas uma política educacional, mas uma estratégia de desenvolvimento para o estado”, conclui.

