Um levantamento internacional divulgado pela revista científica The Lancet aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas por meio de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. Segundo a pesquisa, dos 253,2 mil casos de câncer diagnosticados no país em 2022, aproximadamente 109,4 mil mortes poderiam ter sido evitadas.
O estudo, intitulado Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo, foi realizado por 12 pesquisadores, sendo oito vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.
Os pesquisadores classificaram as mortes evitáveis em dois grupos: 65,2 mil poderiam ter sido prevenidas, ou seja, a doença poderia nem ter ocorrido, enquanto 44,2 mil poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e acesso a tratamento. Entre os fatores de risco destacados estão tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções por vírus ou bactérias relacionadas ao câncer.
LEIA TAMBÉM: Ex-chefe de gabinete de David Almeida é presa em operação que investiga grupo ligado ao CV
O estudo também mostra disparidades globais: países da África apresentam as maiores proporções de mortes evitáveis, chegando a 72,8% em Serra Leoa, enquanto na Europa do Norte os percentuais variam entre 28% e 32%. A América do Sul registra 43,8%, similar ao Brasil. A análise por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) indica que países com menor IDH têm até seis em cada dez mortes evitáveis, enquanto em nações com IDH muito alto a proporção cai para 40,5%.
Entre os tipos de câncer relacionados a mortes evitáveis, os de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo de útero concentram 59,1% dos casos. O câncer de pulmão lidera entre os preveníveis, enquanto o câncer de mama feminino tem maior número de mortes tratáveis, ou seja, evitáveis com diagnóstico e tratamento adequados.
No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) mantêm campanhas regulares de prevenção e detecção precoce da doença.

