A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) detalhou nesta sexta-feira (20), durante a Operação Erga Omnes, um esquema criminoso que envolvia tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção de servidores públicos em diferentes estados do país. Ao todo, 24 mandados de prisão foram expedidos, dos quais 13 já cumpridos. Onze pessoas seguem foragidas e o líder da organização, Alan Kléber, fugiu de São Paulo, embora sua esposa tenha sido presa. Durante quatro anos, o grupo movimentou R$ 70 milhões em atividades ilegais.
O delegado do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcelo Martins, explicou como o grupo atuava e a extensão das investigações.
“Identificamos transações financeiras de alto valor de servidores públicos que colaboravam com o crime organizado, seja fornecendo suporte, seja permitindo que o grupo atuasse na administração pública e tivesse acesso a informações sigilosas e estatais. Cumprimos mandados nos estados do Pará, Piauí, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Até o momento, foram cumpridos 13 mandados de prisão, de um total de 24. Também cumprimos 24 mandados de busca e apreensão, apreendemos veículos, bloqueamos contas bancárias e sequestramos valores de todos os investigados, incluindo empresas fantasmas usadas pelo tráfico para operacionalizar suas ações no interior do Brasil.”
Segundo o delegado, essas ações foram fundamentais para desarticular a rede que operava com empresas de fachada nos setores de transporte e logística.
“Essas empresas fantasmas atuavam no segmento de logística e eram usadas para simular um transporte legítimo, quando na verdade estavam transportando drogas para várias unidades da federação. Detectamos que as movimentações dessas empresas não tinham nenhuma relação com atividades logísticas reais, ou seja, elas não negociavam nem compravam de empresas do setor; operavam apenas com traficantes e servidores públicos. Também foi confirmada a prisão de um policial civil e de um policial militar.”
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O delegado também destacou a participação de servidores públicos em diferentes esferas de governo e órgãos de segurança.
“Essas empresas fantasmas atuavam no segmento de logística e eram utilizadas para simular um transporte legítimo, quando, na verdade, estavam transportando drogas para várias unidades da federação. Detectamos que as movimentações dessas empresas não correspondiam a atividades logísticas reais; ou seja, elas não negociavam nem compravam de empresas do setor, operando apenas com traficantes e servidores públicos. Também foi confirmada a prisão de um policial civil e de um policial militar.”
Além disso, a investigação revelou que o grupo utilizava igrejas evangélicas como cobertura. “O líder dessa organização se chama Alan Kléber. Ele se disfarçava como um evangélico de uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, chegando a usar roupas da própria igreja. Em uma ocorrência anterior, ele chegou a esconder drogas dentro desse templo, e temos outro alvo que morava no interior da mesma igreja. Percebemos que esse grupo criminoso utilizava igrejas evangélicas como forma de se esconder da polícia, funcionando como um disfarce.”, explicou o delegado.
A operação envolveu o apoio de forças de segurança de seis estados, bloqueio de contas bancárias, sequestro de valores, apreensão de veículos e outros materiais usados pelo grupo. As autoridades afirmam que as diligências continuarão para localizar os 11 foragidos e coletar mais provas sobre lavagem de dinheiro e outros crimes associados à organização.

