A Polícia Civil do Amazonas informou que o homem apontado como líder do Comando Vermelho (CV) no estado utilizava uma igreja evangélica como estratégia para dificultar investigações e evitar suspeitas. De acordo com a apuração, ele se apresentava como membro ativo da congregação e frequentava regularmente um templo localizado no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus.
Segundo o delegado responsável pelo caso, o investigado adotava comportamento compatível com o de frequentadores da igreja, incluindo o uso de vestimentas associadas ao ambiente religioso. Em uma ocorrência anterior, substâncias entorpecentes teriam sido escondidas no interior do templo. A investigação também identificou outro alvo que residia nas dependências da mesma igreja. Para a polícia, o uso do espaço religioso funcionava como forma de camuflagem, reduzindo a possibilidade de abordagem policial e dificultando a identificação das atividades ilícitas.
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As informações vieram à tona durante a Operação Erga Omnes, que apura a atuação de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. As investigações tiveram início em agosto do ano passado e apontam que o grupo possuía ramificações em outros estados.
Conforme dados obtidos a partir de relatórios financeiros, a organização teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões em um período de quatro anos. Parte dos valores era operacionalizada por meio de empresas registradas no setor de logística, que, segundo a polícia, não apresentavam atividade comercial compatível com as movimentações identificadas.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens ligados aos investigados. O material recolhido segue sob análise para aprofundamento das investigações.

