Com a chegada do Carnaval, período de maior efervescência social e festiva do país, a troca de saliva através do beijo na boca se torna uma prática quase onipresente nos blocos e festas. No entanto, o Dr. Lesemky Cattebeke, otorrinolaringologista especialista em Cabeça e Pescoço, emite alerta crucial: a combinação de aglomeração, baixa imunidade e contato íntimo serve como uma via direta e eficiente para a transmissão de uma série de patologias virais e bacterianas.
Dr. Lesemky Cattebeke é Otorrinolaringologista com especialização em Cabeça e Pescoço, atuando no diagnóstico e tratamento de patologias complexas da região. É referência em saúde preventiva e tratamento de infecções de vias aéreas superiores.
Ele enfatiza que os beijos envolvem compartilhamento de secreções orais, o que facilita a circulação de agentes infecciosos em um ambiente propício como o Carnaval.
Principais Ameaças à Saúde Bucal e Sistêmica
O especialista detalha que as doenças transmitidas pelo contato salivar são variadas e merecem atenção redobrada como a ‘Mononucleose Infecciosa’ popularmente conhecida como a “doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e pode causar febre, fadiga extrema e gânglios inchados no pescoço.
A Herpes Simples Tipo 1 (HSV-1), altamente contagiosa, o vírus pode ser transmitido mesmo na ausência de lesões visíveis, mas o risco aumenta exponencialmente se houver feridas labiais ativas.
O contato facilita a disseminação de Citomegalovírus (CMV), além de infecções respiratórias comuns, como gripe, resfriados e a COVID-19, que circulam intensamente em aglomerações.
DOENÇAS GRAVES – Em casos mais sérios, ou quando há lesões na mucosa oral, o contato pode ser uma porta de entrada para patologias mais graves, como a sífilis ou, em situações raras, a meningite meningocócica.
A Anatomia da Transmissão: Por que a Boca é uma Porta de Entrada Eficiente?
A anatomia da cavidade oral é naturalmente favorável à sobrevivência de microrganismos. “A boca é um ambiente quente, úmido e altamente vascularizado. Pequenas inflamações, aftas, gengivites ou microfissuras, muitas vezes imperceptíveis a olho nu, facilitam ainda mais o processo de infecção”, explica o Dr. Cattebeke.
O perigo é potencializado pela intensidade do contato “Quanto maior o tempo de exposição e o volume de secreção compartilhada, maior a chance de transmissão, especialmente se uma das pessoas já estiver com uma infecção ativa, mesmo que ainda no início e assintomática”, alerta o otorrinolaringologista.
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Cuidados essenciais e recomendações do especialista
Apesar da importância social e afetiva do beijo no Carnaval, o Dr. Cattebeke insiste que a diversão não pode anular o cuidado com a saúde. A vulnerabilidade imunológica dos foliões é um fator agravante.
FATORES DE RISCO AGRAVANTES – Durante os dias de festa, o sistema imunológico tende a ficar mais suscetível a infecções devido a fatores inerentes ao período:
- Privação de Sono: Noites mal dormidas enfraquecem as defesas do organismo.
- Exposição e Estresse Físico: Exposição prolongada ao sol e ao cansaço extremo.
- Consumo de Álcool: O consumo excessivo pode desidratar as mucosas orais, criando fissuras que servem como portas de entrada para vírus e bactérias.
PLANO DE PREVENÇÃO DO DR. CATTEBEKE – Para aproveitar a festa com a máxima segurança, o especialista recomenda um tripé de cuidados:
- Observação Atenta: Evitar o contato íntimo com pessoas que apresentem sinais visíveis de infecção, como tosse persistente, febre, ou lesões labiais ativas (como bolhas ou feridas de herpes).
- Higiene Bucal Prioritária: Manter a saúde bucal rigorosamente em dia. Além disso, jamais compartilhar copos, garrafas ou utensílios pessoais durante os blocos.
- Imunidade em Dia: Garantir que a vacinação contra gripe, meningite e COVID-19 esteja atualizada. Priorizar a hidratação e buscar horas adequadas de sono antes e durante os dias de folia.
Sinais de Alerta Pós-Carnaval
Após a festa, é crucial que o folião monitore o surgimento de sintomas como febre persistente, dor de garganta intensa, inchaço dos gânglios no pescoço ou o aparecimento de feridas labiais. “A maioria das infecções transmitidas pelo beijo é leve, mas sintomas intensos ou prolongados não devem ser ignorados. Se houver persistência, é fundamental procurar um médico, preferencialmente um otorrinolaringologista, para um diagnóstico preciso”, orienta o Dr. Cattebeke.
“O beijo faz parte da vida social e afetiva, especialmente no Carnaval. No entanto, é fundamental lembrar que a diversão saudável não é sinônimo de descuido. Diversão e cuidado com a saúde precisam caminhar juntos para que a alegria da folia não se transforme em dias de doença”, finaliza Cattebeke.

