Moradores da comunidade Coração de Mãe, localizada no Distrito Industrial 2, na zona Leste de Manaus, voltaram a denunciar a poluição do igarapé que corta a região. A nova ocorrência foi registrada dois anos após a primeira denúncia publicada pelo portal Segundo a Segundo, quando empresas instaladas nas proximidades foram alvo de fiscalização.
Em vídeos enviados à reportagem, moradores mostram peixes mortos no Lago do Aleixo, área atingida pela contaminação. Entre as espécies encontradas estão jaraqui, tamuatá, mussum e piaba. Segundo os relatos, a mortandade atinge peixes de diferentes tamanhos.
Um pescador registrou imagens de peixes de grande porte boiando na água e relatou a preocupação com a situação. “Os peixes estão morrendo todos, são peixes grandes. Peixe que era para a gente estar comendo está assim”, afirmou.
Outro morador destacou o forte odor na área. “É muito triste ver esses peixes morrendo. O cheiro está muito forte. Todas as espécies que estavam nesse lago morreram”, disse em vídeo encaminhado ao portal.
De acordo com um morador que preferiu não se identificar, a poluição teria origem no descarte de resíduos industriais realizado por empresas situadas no Distrito Industrial 2. Ele afirma que os dejetos seriam lançados próximo às residências e seguiriam até o igarapé Coração de Mãe, atingindo o Lago do Aleixo.
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Há dois anos, após mobilização da comunidade e denúncias aos órgãos ambientais, houve fiscalização e interrupção das atividades apontadas como responsáveis pela contaminação. No entanto, segundo os moradores, as empresas teriam retomado as operações posteriormente, e a poluição voltou a ser registrada.
A Comunidade Coração de Mãe existe há mais de dez anos e atualmente abriga mais de mil famílias. Desde a formação do bairro, os moradores relatam que mantêm a preocupação em preservar o igarapé, utilizado para pesca, lazer e outras atividades do dia a dia. Diante da nova mortandade de peixes, a comunidade informa que pretende formalizar novamente denúncias aos órgãos competentes para que o caso seja apurado.
O Segundo a Segundo entrou em contato com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) para falar sobre o caso, bem como a Polícia Federal do Amazonas (PF-AM) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

