A conta de água ficará 5,52% mais cara em Manaus a partir de março, com reajuste aplicado pela concessionária Águas de Manaus nas tarifas de abastecimento e esgotamento sanitário. O aumento já começou a ser cobrado nas faturas enviadas à população.
É o segundo ano consecutivo em que a tarifa é reajustada sem informação prévia à população. No ano passado, o Segundo a Segundo revelou que a gestão do prefeito David Almeida havia autorizado aumento de 12,32% na conta de água, o segundo maior em seis anos.
Apesar de envolver a concessão de um serviço público essencial e atingir mais de dois milhões de moradores da capital, a autorização para inflacionar os preços foi feita de forma sigilosa, sem qualquer comunicação à população. Somente após a denúncia do Segundo a Segundo é que o caso ganhou repercussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM), obrigando a Águas de Manaus e a própria prefeitura a darem explicações.
Pré-candidato ao governo do Amazonas nas eleições deste ano, David Almeida adotou postura diferente desta vez. No ano passado, manteve silêncio diante dos questionamentos sobre o reajuste e chegou a defendê-lo como parte do que estava pactuado no contrato de concessão. Agora, determinou à Procuradoria que questione judicialmente o aumento aplicado pela concessionária.
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Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Manaus afirmou que o reajuste de 2026 foi aplicado sem comunicação prévia e que a Procuradoria-Geral do Município (PGM) vai recorrer da medida na Justiça.
“Fomos surpreendidos com uma comunicação da empresa afirmando que o reajuste seria aplicado já a partir das faturas de março, sendo que ainda estávamos analisando os fundamentos apresentados pela concessionária e se manifestando tecnicamente para garantir que qualquer recomposição observe estritamente os critérios contratuais e a proteção do usuário”, afirmou diretor-presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman), Elson Andrade.
Por meio de nota, a Águas de Manaus informou que o reajuste anual está previsto no contrato de concessão e tem como finalidade preservar o equilíbrio econômico-financeiro, além de corrigir a inflação do período, permitindo que a empresa continue realizando investimentos no saneamento básico da capital.
“O reajuste de 5,52%, aplicado em fevereiro/26, cumpriu todos os trâmites legais junto ao Poder Concedente e à Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman). Em dezembro de 2025, a Ageman emitiu parecer técnico e jurídico favorável à cobrança. Em conformidade com o contrato, a empresa divulgou o aviso de reajuste em jornais de grande circulação, ainda em dezembro, seguindo com os ritos previstos, e aplicou o reajuste em fevereiro de 2026. O índice aplicado corresponde exclusivamente a duas parcelas de acordos assinados com a Prefeitura: a primeira de 3,92% relativa a um acordo judicial homologado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) em 2021; e a segunda de 1,65%, referente a um aditivo contratual assinado em 2022. Da somatória dessas parcelas foi abatida a parcela relativa ao Índice Geral de Preços–Mercado da Fundação Getúlio Vargas (IGPM/FGV), que sofreu variação negativa no período”, diz a nota.

