A venda de fórmulas infantis foi suspensa em diversos países após a identificação de uma suspeita de contaminação por cereulide, toxina associada a casos de intoxicação alimentar. A medida levou autoridades sanitárias a emitirem alertas e resultou no recolhimento preventivo de produtos fabricados por empresas de grande porte do setor, como Nestlé, Danone e Lactalis.
A suspensão teve início no começo de janeiro, quando a Nestlé anunciou a retirada de lotes de fórmulas infantis comercializadas na Europa. Desde então, a decisão foi ampliada para pelo menos 25 países, incluindo o Brasil, alcançando mercados na Europa, Ásia, Oceania e América Latina. Na sequência, outras fabricantes também comunicaram a interrupção da venda de produtos enquanto são conduzidas investigações sobre possíveis falhas na produção.
A Lactalis informou que suspendeu a comercialização de lotes de leite infantil em 18 países, entre eles França, Espanha, China, Austrália, México, Chile e Colômbia. Segundo a empresa, a iniciativa é preventiva e ocorre durante a apuração de eventuais problemas no processo produtivo. Já a Danone iniciou a retirada de produtos em Singapura por determinação da agência reguladora local, envolvendo o produto Dumex Dulac 1, fabricado na Tailândia.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da venda de lotes de fórmulas infantis de marcas como Nestogeno, NAN Supreme Pro, NANLAC Supreme Pro, NANLAC Comfort, NAN Sensitive e Alfamino. No Distrito Federal, dois bebês de um ano foram internados após consumirem fórmulas pertencentes a lotes suspensos. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, as crianças apresentaram vômitos e diarreia, mas evoluem de forma satisfatória.
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Na França, autoridades investigam se a morte de um bebê pode estar relacionada ao consumo de leite infantil cuja venda foi suspensa. O Ministério da Agricultura informou que os resultados da apuração devem ser divulgados nos próximos dias.
A cereulide é uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus e se caracteriza por alta estabilidade, não sendo eliminada por processos industriais nem pelo aquecimento durante o preparo das fórmulas. As empresas informaram que a possível origem da contaminação pode estar ligada a ingredientes fornecidos por terceiros, hipótese que segue em análise pelas autoridades sanitárias.

