Entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, as unidades de saúde do Amazonas registraram 2.999 internações de pessoas enfrentando problemas de saúde mental no Estado. Os dados são do DataSUS e foram compilados pela Agência Tatu. Os homens lideraram o número de internações. Do total, 1.478 pacientes eram do sexo masculino, enquanto 1.466 são mulheres.
O recorte etário chama atenção. Apenas entre janeiro e novembro de 2025, foram contabilizadas 1.098 internações no Amazonas, das quais 471 ocorreram entre jovens de 15 a 29 anos — o equivalente a 42% dos casos. O dado reforça o peso da saúde mental entre adolescentes e adultos jovens, grupo que concentra as maiores demandas por atendimento hospitalar.
Ouvido pela Agência Tatu, o psiquiatra Lucas Fragoso, que atua pelo SUS em Maceió, afirma que a internação costuma ser indicada quando há risco iminente para o próprio paciente ou para terceiros, ou ainda quando a pessoa não dispõe de uma rede mínima de apoio para cuidados básicos. Segundo ele, o aumento dos registros também pode estar ligado a uma mudança de comportamento social.
O médico destaca ainda que o estilo de vida contemporâneo tem papel central no agravamento dos transtornos mentais. Para Fragoso, o uso intensivo das redes sociais funciona como fator de risco relevante, ao estimular mecanismos de comparação constante que ampliam o sofrimento psíquico, sobretudo entre os mais jovens.
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O cenário amazonense acompanha uma tendência nacional. No Brasil, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, foram registradas 91.697 internações de pessoas entre 25 e 29 anos por transtornos mentais e comportamentais. Outros grupos etários com números elevados incluem pessoas de 35 a 39 anos (90.367 internações) e de 30 a 34 anos (89.536). A partir dos 45 anos, os registros passam a cair de forma gradual.
No recorte regional, o Rio Grande do Sul lidera o ranking de hospitalizações por saúde mental, com taxa de 355 internações para cada 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina (284) e Acre (170). No Nordeste, o Ceará aparece como o estado com maior índice, ocupando a décima posição no ranking nacional, com 107 internações por 100 mil habitantes nos últimos três anos.
O perfil das internações no país também revela uma predominância masculina. Nos últimos três anos, os homens responderam por 57% dos casos (438.787 internações), enquanto as mulheres representaram 43% (329.125 registros). Especialistas apontam que os números reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção, ao fortalecimento da atenção psicossocial e à ampliação do acesso a cuidados em saúde mental, especialmente entre jovens.

