Uma expedição científica realizada em São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas, reuniu pesquisadores de diferentes instituições do país e resultou na coleta de cerca de mil amostras de plantas e fungos na região do Alto Rio Negro. A atividade integra o projeto “Tsiino Hiiwiida: revelando múltiplas dimensões da biodiversidade de plantas e fungos no Alto Rio Negro”, vinculado à iniciativa Amazônia +10.
Coordenada pelo pesquisador Charles Eugene Zartman, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a expedição foi dividida em dois grupos de trabalho e contou com a participação de bolsistas indígenas e o apoio logístico da 2ª Brigada de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro. As equipes realizaram coletas em áreas de afloramento rochoso com altitudes de até 600 metros, abrangendo florestas de terra firme, baixios, campinaranas e vegetações ripárias.
O primeiro grupo atuou na comunidade Itacoatiara Mirim, ao longo da BR-307 e na localidade Ilha do Açaí, com foco na investigação de plantas acumuladoras de metais pesados, sob a liderança do professor Clístenes Williams Araújo do Nascimento (UFRPE). O segundo grupo explorou a Serra do Curicuriari, também conhecida como Serra da Bela Adormecida, onde permaneceu oito dias em dois acampamentos nas cabeceiras do igarapé Arabo.
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Durante as atividades, foram coletadas amostras de fungos, líquens e plantas de diferentes grupos, como briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. Algumas coletas apresentaram indícios de espécies ainda não descritas, incluindo uma árvore emergente aparentada ao uchi (família Humiriaceae) e exemplares raros do gênero Zamia.
A expedição contou com a participação de pesquisadores do Inpa, Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre outras instituições.
As comunidades indígenas da região também participaram diretamente das atividades, contribuindo com conhecimento tradicional e auxiliando nas coletas. O projeto possui todas as licenças e autorizações necessárias para a pesquisa e mantém seis bolsistas indígenas em formação.
Selecionado pelo edital Expedições Científicas do CNPq e do Confap, o projeto “Tsiino Hiiwiida” é um dos 20 contemplados pela iniciativa Amazônia +10, que reúne 77 grupos de pesquisa ligados a 18 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e conta com apoio de agências internacionais do Reino Unido e da Suíça.


