A Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), no bairro Cidade de Deus, zona norte de Manaus, foi palco de uma confusão generalizada envolvendo um advogado suspeito de violar medida protetiva em favor da ex-companheira, nesta sexta-feira (30/01). Vídeos nas redes sociais mostram momentos de tensão e luta corporal entre o advogado, o filho dele e policiais civis na recepção da unidade policial.
Em nota, a Polícia Civil repudiou os atos de violência e informou que o advogado estava sendo detido por desacato. Ao lado do filho, ele teria resistido à prisão, o que acabou provocando o confronto com os agentes.
Ainda em nota, a Polícia Civil repudiou a “conduta desrespeitosa de um advogado investigado por descumprimento de medida protetiva contra sua ex-esposa, em episódio ocorrido nos dias 29 e 30 de janeiro de 2026, na Delegacia da Mulher – Norte/Leste”.
Segundo a Delegacia da Mulher, o advogado teria apresentado “material desproporcional”, que foi recusado nos autos do inquérito, e teria se revoltado com a situação. “Em novo comparecimento, mesmo acompanhado por representantes da OAB, gravou vídeos em voz alta, desrespeitando o ambiente institucional e a privacidade das mulheres presentes. Diante da recusa em se retirar, foi necessário o apoio de policiais civis”, diz o comunicado.
A Polícia Civil informou, ainda, que o filho do advogado, que aparece no vídeo em luta corporal contra policiais, foi autuado por lesão corporal e resistência. Já o advogado responderá por desacato e será investigado por calúnia, após divulgar alegações falsas de agressão, que, segundo a corporação, são desmentidas por imagens internas e testemunhas.
“A Polícia Civil reafirma o respeito ao exercício da advocacia, mas reitera que prerrogativas não se sobrepõem aos deveres de urbanidade, legalidade e respeito, especialmente em um espaço de acolhimento a mulheres vítimas de violência”, afirma a nota.
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Na manhã deste sábado (31/01), o advogado publicou um vídeo nas redes sociais fazendo uma retratação pelo destempero e pediu desculpas pelo ocorrido. Também em nota, a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) repudiou a conduta dos policiais civis envolvidos, classificando-a como violenta.
A entidade afirmou que não houve prisão em flagrante do advogado e que ele deixou a delegacia acompanhado pelo presidente da comissão.
“A OAB/AM reafirma que não vai admitir qualquer violação às prerrogativas da advocacia e adotará todas as providências institucionais cabíveis para a apuração dos fatos e responsabilização penal dos investigadores”, diz trecho da nota.
A Ordem informou ainda que pretende acionar o Ministério Público do Amazonas, por meio do PROCEAP, e a Corregedoria de Segurança Pública, além de pedir o afastamento cautelar e a exoneração dos investigadores envolvidos, sob alegação de abuso de autoridade e uso indevido de arma de fogo. Sobre as denúncias de violação de medidas protetivas atribuídas ao advogado, a OAB não se manifestou.

