O ex-prefeito de Coari, Raimundo Nonato de Araújo Magalhães, voltou a ser alvo de investigações em virtude de irregularidades identificadas na sua gestão na prefeitura, entre 2015 e 2016. Dessa vez, um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) para apurar irregularidades da ordem de R$72 milhões na prestação de contas.
Mas os problemas de Magalhães com a Justiça começaram logo que ele deixou o cargo. Em 2017, ele chegou a ter a prisão temporária decretada pela Justiça do Amazonas por suspeita de corrupção. O caso ganhou repercussão nacional. Ele foi acusado de fechar contrato milionário para aquisição de material em quantidade desproporcional e valor acima do mercado, de acordo com informações da Agência Brasil. O caso tramitou em segredo de justiça.
Segundo colocado nas eleições de 2014, em Coari, Magalhães assumiu a gestão municipal após o então prefeito Adail Pinheiro ter sido preso por suspeita de chefiar uma rede exploração sexual de crianças e o vice-prefeito renunciar. Ele ficou à frente da prefeitura de abril de 2015 até dezembro de 2016.
As investigações do MP-AM estão relacionadas à falta de explicações com os gastos públicos. O mesmo assunto que levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) a condenar Magalhães, em 2020, a pagar a multa milionária de R$72 milhões.
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Na época, o relator do processo no TCE, conselheiro Érico Desterro, em consonância com o Ministério Público de Contas (MPC), julgou irregular a prestação de contas de Raimundo alegando que “não houve comprovação legal de despesas, sonegação e extravio de processos e documentos, descumprimento nos prazos de envio dos balancetes mensais, entre outros atos ilegítimos e antieconômicos que resultaram em danos ao erário.”
Além da condenação milionária, o TCE também havia determinado que o ex-prefeito ficasse inabilitado por cinco anos para o exercício de cargo de comissão ou função de confiança em órgãos estaduais.
Agora, a 2ª Promotoria de Justiça de Coari quer mais explicações de Raimundo Nonato. Conforme o MP, a medida se baseia na Resolução 006/2015 do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), que institui os procedimentos de investigação da instituição para apurar supostos atos de improbidade e a prestação de contas da administração do Poder Executivo.
No despacho, o promotor de Justiça Bruno Escórcio Cerqueira Barros, autor da ação, estabeleceu prazo de 30 dias úteis para que o ex-prefeito de Coari conceda todas as informações necessárias, com retorno das requeridas diligências.
A reportagem não conseguiu localizar Raimundo Nonato. O espaço segue aberto para manifestação sobre as suspeitas e esta matéria será atualizada caso isso aconteça.