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Cidades

Afastamentos por transtornos mentais aumentam 134% nos últimos dois anos

Redação
Atualizado em 2025/04/16 at 2:44 PM
Redação 1 ano atrás
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Afastamentos por transtornos mentais aumentam 134%
(Foto: Divulgação)
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Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais aumentaram 134% nos últimos dois anos, passando de 201 mil casos em 2022 para 472 mil em 2024. Os dados foram revelados pela atualização do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab de Trabalho Decente, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil. As informações se baseiam em registros de acidentes do trabalho do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre os casos relacionados à saúde mental, que possuem uma área própria no Observatório, destacam-se afastamentos acidentários por reações ao estresse (28,6%), ansiedade (27,4%), episódios depressivos (25,1%) e depressão recorrente (8,46%). Quanto aos afastamentos em geral, destacam-se como predominantes os episódios depressivos (25,6%), a ansiedade (20,9%) e a depressão recorrente (12,0%).

A Norma Regulamentadora n.º 1, do Ministério do Trabalho e Emprego, foi recentemente atualizada para incluir a obrigatoriedade de avaliação de riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). A mudança destaca que riscos psicossociais, como jornadas exaustivas, assédio, pressão por metas e carga mental excessiva devem ser identificados e gerenciados pelos empregadores como parte das medidas de proteção à saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras.

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Segundo a coordenadora nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, Cirlene Zimmermann, “não podemos nos limitar à frieza dos números, das estatísticas, dos dados. É preciso lembrar que cada dado representa uma vida, uma família abalada, uma comunidade impactada. Cada adoecimento é um grito por justiça e por responsabilidade. É nossa missão fazer com que esses números não se limitem a gráficos, mas sejam alertas que nos impulsionem a agir”.

Para o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro, é preciso internalizar que o investimento em saúde é um ganha-ganha para as pessoas, para as famílias, para as empresas e a sociedade como um todo. “O investimento na promoção da saúde mental beneficia toda a sociedade, porque promove ambientes de trabalho seguros e saudáveis, minimiza a tensão e os conflitos e melhora a fidelização do quadro de pessoal e o rendimento e a produtividade do trabalho”, disse o diretor do Escritório da OIT para o Brasil.

O observatório também aponta que, de 2012 a 2024, 8,8 milhões de acidentes do trabalho e 32 mil mortes no emprego com carteira assinada foram registrados. Os dados mostram que grande parte dos acidentes registrados foi causada pela operação de máquinas e equipamentos (13,6% do total), que provocou amputações e outras lesões gravíssimas com frequência 15 vezes maior do que as demais causas e gerou três vezes mais acidentes fatais do que a média geral dos agentes causadores.

A profissão mais afetada por afastamentos acidentários é a de alimentadores de linhas de produção (5,1%) do total, seguida de motoristas de caminhão (3,7%), faxineiros (3,4%), serventes de obras (2,9%) e vendedores de comércio varejista (2,4%).

Cerca de 60% dos afastamentos acidentários ocorreram por fraturas, que já ultrapassam 1 milhão de ocorrências na série, com 84 mil apenas em 2024 (incremento de 20% em relação a 2023), com predominância de fraturas de punho e da mão. O número de afastamentos por amputações também cresceu 6% em 2024, alcançando 4,6 mil ocorrências (superando os 4,4 mil de 2023).

O Observatório mostra, ainda, que mais de meio bilhão de dias de trabalho e de vida saudável foram perdidos desde 2012. De acordo com a OIT, afastamentos causados por doenças e acidentes do trabalho representam perda média anual de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial. No Brasil, esse percentual equivale anualmente a aproximadamente R$ 468 bilhões, se for levado em consideração o PIB do país em 2024, que foi de R$ 11,7 trilhões (IBGE). Em números acumulados desde 2012, o prejuízo econômico pode chegar a R$ 5 trilhões, cerca de metade do PIB anual do Brasil em números de hoje.

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