O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) identificou 5.172 focos de calor no bioma amazônico entre janeiro e maio de 2022. É um aumento de 23.9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram identificados 4.174 focos. Os registros recordes ainda são em 2016 (10.389) e 2019 (8.959).

Os imóveis rurais foram os mais afetados, concentrando 3.667 focos de calor, 71% do total. Na categoria de uso público, as terras indígenas estão nas regiões mais atingidas pelo agravamento do desmatamento atrelado ao fogo. Foram 367 focos, alta de 17,3% se comparado ao mesmo período de 2021.

Segundo a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, a presença eficiente do Estado poderia evitar o aumento do desmatamento. “Coibir o desmatamento significa reduzir o fogo no futuro, mas não podemos esperar que o fogo seja reduzido por conta das chuvas somente”, explica.

A Amazônia está num período de estiagem que se alonga até setembro, tendo seu ápice em agosto.
Outros biomas também sofreram com um aumento expressivo no número de focos de calor. No Cerrado, foram 6.630 registros este ano, contra 5.387 do ano passado. “Só em maio deste ano, no Pantanal, o número mais que dobrou”, afirma a diretora, alertando a um crescente de 273 para 402 focos entre 2021 e 2022.

Impacto estadual

Alencar ressalta que o Estado do Amazonas tem sofrido um aumento significativo no número de focos de calor, sobretudo de queimadas, em relação ao mesmo período de 2021. No ano anterior foram 150 focos e, entre janeiro e maio deste ano, o número subiu para 286.

A diretora destaca ainda que a parte sul do Amazonas é a nova fronteira agrícola, onde ocorre um processo de ocupação acelerado das terras públicas, principalmente aquelas ainda não destinadas. “Isso tem gerado muito desmatamento, e muito desmatamento gera muito fogo”, diz.

Foto: Ivan Canabrava/IPAM/Woodwell

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